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Viajando a Austrália:
Brisbane à Cairns
"Quarta Semana"

Forrest Beach - Townsville - Bowen -  310 Km

Às 5 da manhã estávamos acordados. Eu sentia que a galinha da noite passada já tinha sido devidamente digerida, e meu estômago implorava por comida. Fizemos umas panquecas de queijo e presunto. Levamos a xícara de chocolate quente conosco até a praia para ver o nascer do sol, e quando chegamos a fogueira da noite passada ainda ardia. Fomos fotografar e dar uma caminhada pela praia, mas fora da fogueira estava muito frio e voltamos mais cedo que planejávamos. Preparamos o carro para partir sendo que nosso destino de hoje já estava agendado. Seria a cidade de Bowen.

O maior problema para a partida foi encontrar o administrador do Caravan Park para pagar a estada. Onde encontramos o sujeito? Claro que no Pub. Só que ele não estava bebendo, mas sim contando dinheiro. Descobrimos que além do Caravan Park ele também tinha participação no pub. A primeira parada foi em Ingham para tirar dinheiro num caixa eletrônico ATM. Essa cidade é praticamente toda Italiana e de descendentes de imigrantes italianos na Austrália. Até mesmo algumas rádios transmitem em Italiano. Fomos procurar um local para comprar um Queijo Provoloni, mas era muito cedo e quase todo o comércio ainda estava fechado, assim o jeito foi voltar para a estrada.

Entre Ingham e Townsville existem várias vilas com praias e resolvemos parar para conhecer. A paisagem mudou da cana para o abacaxi. Eu nunca tinha dirigido tanto tempo passando por um verdadeiro gramado de abacaxis. Na beira da estrada tinha uma barraca vendendo abacaxi, só que sem ninguém para atender. Tinha uma placa dizendo:" Confiamos na sua honestidade, pegue 1 abacaxi e deixe A$2 na cesta, ou peque 2 e deixe A$3 ". Pegamos um abacaxi e deixamos uma monte de moedas pois tivemos que catar todas que tínhamos para chegar no respectivo valor. Deveria ter uns A$ 30 na cesta, a maioria moedas, mas haviam uma nota de A$ 5 também.

Moongobulla, Rollingstone, Toomula e Saunders Beach são as praias antes de Townsville. Assim como Forrest Beach, são abertas, abrigadas e bonitas, com grandes faixas de areia na maré baixa, mas nada de muito especial. Paramos em todas, e numa delas conversamos com uma mulher com crianças pescando. Ela era da Nova Zelândia, do mesmo lugar que moramos antes, e tinha comprado uma casa ali. Ela disse que Townsville está crescendo muito e que vai crescer para aquele lado, assim a valorização do imóvel dela era garantida. Mais uma vez concluimos que essa procura de imóveis ($$$) é uma constante para Kiwis e Aussies. Como ela não havia pescado nada, não nos animamos em juntar-nos à trupe, e seguimos para Townsville.

A primeira vez que fomos em Townsville, 7 anos atrás, não gostamos muito. A Magnetic Island tinha sido o ponto alto daquela viagem, mas agora a coisa mudou muito. Assim como a cidade de Cairns, Townsville investiu num novo parque a beira mar, que naquele dia de céu azul, estava simplesmente lindo. Tinha muita gente caminhando pela praia, crianças no parque, garotões de skate na rampa, e algumas pessoas no piscinão público. A cidade deu uma encorpada, ficou mais cosmopolita, e foi muito impulsionada pela mineração, à uns 300 Km da cidade. A indústria de Mineração trouxe muitos engenheiros e atrai todo o tipo de mão de obra que uma mina necessita. Essas pessoas vieram de várias partes do mundo, principalmente da Inglaterra. Não é uma cidade muito pequena e nem muito grande, e seu eu pudesse no momento, estaria morando na Magnetic Island, mesmo que tivesse que trabalhar em Townsville. Afinal são só 20 minutos de lancha (na foto, o novo parque de Townsville e a Magnetic Island ao fundo).

Com aquele dia lindo resolvemos subir a Castle Hill, para ter uma visão panorâmica da cidade (foto no topo da página). Logo na subida uma placa avisava que a subida era bem íngreme, e que não era adequada para veículos pesados. Fiquei na dúvida se a Van ia conseguir subir, mas fomos adiante. Realmente era bastante inclinada e a Van subiu facilmente em primeira marcha. No caminho passavam várias pessoas subindo a pé fazendo exercícios. Lá de cima a paisagem é estupenda e ficamos de boca aberta com o tamanho de Townsville. A cidade se estendia até as montanhas de trás, para os lados, com um incontável número de casas e centros residenciais. As árvores cresceram e deu um novo visual, pois antes achava Townsville muito careca e sem sombra, mas agora não. O centro é pequeno sem congestionamentos e cheio de lugares para se estacionar, nada que se compare a Mackay.

De Townsville saímos para Bowen, uma pequena cidade pesqueira e é famosa por ser a Capital da Manga na Austrália. São tão saborosas e doces quanto as brasileiras e em geral sem fibras. A estrada estava um pentelho encravado, com aqueles tais murrinhas andando à 65 Km/h.  Ainda na estrada, vimos uma outra barraca de frutos do mar, só que dessa vez o camarão custou A$ 15 ao invés de A$ 10 o quilo. Passamos pela entrada de Bowen e fomos até o Tourist Information que fica ainda na estrada a uns 10 Km da entrada. A senhora foi simpática, mas quando perguntamos se ela poderia ligar para saber se havia vaga nos Caravan Parks, ela me deu uma revista com a lista de caravan parks ( que nós já tínhamos) e indicou a cabine telefônica..."Pode ligar ali". Essa foi a primeira vez que tivemos que pagar ligação, pois em geral os Tourist Information fazem isso por você e de graça pelo simples fato de ganharem comissão. A maioria dos que ligamos que eram bem localizados já estavam lotados, mas achamos um na cidade por A$ 27 e seguimos para lá. Não conseguimos tomar o famoso sorvete de manga pois estava em falta.

O site desse Caravan Park não era ruim, mas um pouco imprensado. Botamos a mesa e cadeiras para fora, e deixamos tudo pronto para fritar os camarões mais tarde. Havia um casal ao nosso lado que pela primeira vez estava na estrada, e a mulher me contou que o foi o marido que a forçou a vir, pois ela odeia viajar. Só que durante a viagem, o inverso aconteceu. Ela passou a adorar viajar em caravans e ele detestou. Agora ele quer voltar para Newcastle e ela quer ir até Cooktown. Uns vizinhos de Melbourne (conhecidos como Victorians) nos convidaram para ficar na varanda e tomar uma cerveja com eles. Batemos um pouco de papo mas depois saímos para preparar aquele fabuloso camarão. Nós tinhamos que aproveitar, pois na Gold Coast não conseguimos essa qualidade de camarão nem que pagássemos o dobro, (o tipo desse camarão é chamado de Tiger Prawn por ser listado como um tigre). Amanhã vamos botar o barco na água.

Parque em Townsville

Outra parte do parque

Centro da Cidade de Townsville Em cima da Castle Hill

Panorama de Townsville feito com 4 fotos mostra a Magnetic Island ao fundo na esquerda, e a parte da beira-mar da cidade. 90% da cidade está no lado oposto de quem vê essa foto. O centro comercial fica na direita juntamente com o porto.

Bowen

Fizemos panquecas para o café da manhã e sanduiches de salada de ovo para levar no barco, além de umas tangerinas e duas bananas que sobraram. Verificamos se a água para beber estava bem tapada, bem como gasolina e demais coisas do barco. Pegamos o carro e fomos para a Horseshoe Bay, um lugar que na minha opinião tinha uma das praias mais bonitas da Austrália. Tinha, com o verbo conjugado no passado, porque não acreditei no que fizeram com o lugar. Ela era uma praia pequena, em forma de ferradura, com pedrões dentro d'agua e uma água tão clara que até polvo usava óculos escuros. A estrada chega literalmente beirando o mar, com uma pequena faixa de areia separando a rua e o mar. Havia um caravan Park e um hotel pequeno de dois andares escondido dentro dos coqueiros e nada mais.

O susto foi encontrar um prédio de quatro andares em construção bem na ponta principal, onde ficava o antigo pequeno hotel. O coqueiral já era, pois agora só tem andaimes e guindastes. Essa construção horrível, soube mais tarde, vai continuar sendo um Hotel, só que com lojas em baixo. Como se pode ver, na Austrália também tem prefeituras burras que destroem um lugar paradisíaco em nome do crescimento econômico. Disseram que vai ficar lindo depois de pronto, e vão re-estabelecer o coqueiral. Só o tempo dirá. A Horseshoe Bay fica do outro lado da ponta desta foto, e primeiramente pensamos em lançar o barco na água de lá. Quando chegamos na praia, ela continuava linda como sempre, mas tinha muito carros no estacionamento. e também muita gente na praia. Resolvemos voltar um pouco pela estrada até a rampa pública de lançamento de barcos.

Qualquer lugar de praia na Austrália tem pelo menos uma rampa pública para barcos, com toda infra estrutura, água, estacionamento para as carretas, banheiros, e locais para picnics. Encontramos uma vaga na sombra bem na entrada da rampa. Ainda por cima tinha uma ótima faixa de areia ao lado, para que montássemos nosso barco sem bloquear o acesso de outros. Montamos o dito rapidamente, e na primeira puxada o motor pegou. Saimos lentamente, tomando cuidado com as pedras no fundo, para depois navegarmos direto sobre um recife de coral submerso. Mais uma vez o dia estava perfeito, com 26 graus e pouco vento. A idéia seria dobrar a ponta e passar por uma série de enseadas até quase chegar na praia da cidade, onde fica o nosso Caravan Park. 

Ao chegarmos na ponta, haviam duas ilhotas bem perto uma da outra, e resolvemos passar entre elas. Dava para ver todo o fundo, que começou a ficar mais perto do barco, assim reduzi a velocidade. O barco estava navegando lentamente em uma lâmina d'agua rasa de cerca de metro e meio, quando nos demos conta que estávamos em cima de uma floresta de corais. Desliguei e suspendi o motor para não danificar a hélice nem os corais, e depois de ter colocado nossas máscaras de mergulho, botamos a cara dentro d'agua. Deixando o barco derivar para onde quisesse, e parecia que estávamos assistindo um filme, pois o fundo nunca era o mesmo. "Fringe Reef" é o nome que se dá aos corais que crescem perto de praias e  da costa, e esse foi sem dúvida o mais lindo e colorido que já vimos na Austrália. Os corais eram tão bonitos quanto alguns lugares da Barreira de Coral que já visitamos. Pelo fato do mar estar como uma lagoa, coloquei a máscara boiando na água e a lente da câmera dentro para tirar essa foto. Só depois em terra nos lembramos que poderíamos ter filmado. Paciência.

Horseshoe Bay foi a primeira praia que passamos e seguimos a costa que é toda feita de pedregulhos com mato no meio. Paramos numa grande pedra que ficava a uns 100 metros da praia e fomos arriscar uma pescaria.  Não passou muito tempo e a vara envergou feio, e eu sabia que tinha pego um peixe de bom tamanho. Briguei com o bruto até que ele chegou na tona, e era um bom Badejo de pelo menos três quilos. O bicho era lindo, e para não perde-lo coloquei-o no chão do barco. Badejos na Austrália têm tamanho mínimo e máximo para serem pescados, bem como quantidade por pescador. Pequei o manual do departamento de meio ambiente que tem as especificações, e meu peixe simplesmente está na lista sob proteção ambiental. A pena por matar um é um multa de A$ 200.000. "Devolva-o imediatamente ao mar antes que morra", era o que estava escrito no manual. Sem pestanejar, e para não ter que virar mendigo depois da multa, fiz exatamente o que o manual mandava. Ficamos mais um pouco no local sem sucesso.

Nos mudamos para um costão de pedras e tentamos a sorte nos peixes novamente. Havia uma laje no fundo que muitas vezes prendeu a linha, mas pelo menos os peixes estavam beliscando. Pegamos vários, todos pequenos e da mesma espécie da Cocoroca colorida de amarelo (foto no topo da página). Uma lancha parou perto e tentou a sorte também. Os caras eram super bem equipados e pescavam com três molinetes cada (o máximo de anzóis dentro d'agua permitido pela lei para uma única pessoa são 3). Eles ficaram uns 20 minutos e também pegaram um monte dessas cocorocas amarelas e jogavam tudo de volta ao mar. Ele foram embora e nos mudamos mais para perto da costa. Pegamos um sabonete (ou peixe-papagaio). O bicho era pequeno e me arrependi de não ter cortado a linha, ao invés de tentar tirá-lo do anzol. A baba que ele solta além de extremamente gosmenta, fede mais que qualquer coisa. Ainda por cima limpei minha mão short, e o peixe se encostou no barco. No final eu e tudo no barco fedia a peixe. Mesmo sem saber se tinha tubarão ou não, me joguei dentro d'agua e voltei cheiroso de novo..

Resolvemos não pescar mais e passamos o resto do tempo gasolinando de enseada em enseada. Fomos até a ilha do farol e de lá voltamos, pois já eram 3 da tarde. Dobramos uma ponta e tinha uma praia bem pequena e bonita. Encalhamos o barco na areia e fomos dar uma volta. Logo ao lado, depois de um pedrão, reparamos que a praia estava cheia de homens pelados e ao olhar para um deles, reparei que um tinha peitinhos, ou seja, estávamos numa praia de nudismo para gays. Os caras nos olharam e deram tchauzinho e nós respondemos, mas logo em seguida achamos que aquela não era a nossa praia, e demos o fora com o barco. Na saída, errei a avaliação da profundidade e bati com a hélice numa pedra. Quebrou um pedaço de uma pá. Voltamos devagar, pois se acelerasse muito o motor trepidava tanto, que mal dava para segurá-lo. Na rampa tinha uma torneira, e com a ajuda de um balde lavamos o barco para tirar a catinga de peixe. Esperamos secar, colocamos na Van, e voltamos ao Caravan Park. O jantar foi um belo filé de porco sem gordura nenhuma com macarrão, brocoli e couve flor. Como sempre quando tem recepção de TV, vimos o noticiário e fomos dormir.

Outra enseada

Caravan Park em Bowen

Rampa vista do mar Muito comum na Austrália

A outrora linda Horseshoe Bay agora com um hotel medonho

De Bowen a Airlie Beach - 101 Km

Saímos de Bowen cedo umas 7 da manhã, e fomos dar uma volta nas imediações. Subimos até o mirante da cidade e tiramos umas fotos. De cima dava para ver a enseada onde o Caravan Park que ficamos estava, e ver o fundo de lama exposto com a maré baixa. Passamos também pelo terminal pesqueiro, que exporta horrores de peixes anualmente, e essa é a maior atividade da região juntamente com a Manga. Bowen é um dos poucos lugares na Austrália, onde se pode comprar peixe fresco direto das traineiras, pois barcos de outras regiões já tem todo o pescado vendido para cooperativas, ainda em alto mar. Fizemos um pouco de hora para esperar a loja de náutica abrir, e comprar uma hélice nova para nosso motor.

Na loja, uma senhora muito simpática trouxe uma hélice que custava A$ 180. Quando examinei de perto vi que o modelo era diferente, pois esse era para motores com exaustão por dentro da hélice, e o meu a exaustão é feita na metade da rabeta. Ela ligou para representante Tohatsu em Townsville e disseram que o meu modelo não era mais fabricado e me aconselharam a procurar num ferro velho de motores de popa. Ela ligou para o dito em Townsville e eles também não tinham. Ligou para outro, e enfim achou a hélice. Onde?! Na Gold Coast, onde moramos. Resolvemos então passar numa loja Mitre 10, que vende ferragens em geral e comprar um kit de fibra de vidro e resina. Eu mesmo ia moldar e consertar a hélice, sendo que o kit custou A$ 12.

Pegamos a estrada que estava espetacular, com céu azul e muito pouco tráfego. Já fazia tempo que não mantinha 110 Km/h cravados o tempo todo, e iríamos fazer os 101 Km que separam Bowen até Airlie Beach nas Whitsundays em mais ou menos uma hora. Já perto do destino, uma carreta que vinha em sentido contrário derrapou um pouco no acostamento e voltou a pista. Quando cruzou comigo levamos uma chuvarada de pedras e escutamos dois cracks fortes no para-brisas. Pronto, quebrou o vidro! Ficaram 2 teias de aranha pequenas na parte de baixo, uma do lado do motorista e outra do lado do passageiro, mas dava perfeitamente para continuar dirigindo. Só que de cada uma saiu uma rachadura, que ia aumentando de tamanho durante a viagem. Pareciam que iriam se encontrar exatamente no meio do para-brisas. Fiquei com medo daquele pedaço quebrar e cair no nosso colo e diminuí a velocidade. Chegamos em Airlie e fomos direto procurar um vidraceiro de carros. O sujeito perguntou se nosso seguro cobria para-brisas, e a Celia disse que sim ( por isso pagamos A$30 por ano a mais, pois o seguro normal não cobre para-brisas). Pedimos para fazer o serviço, mas lá não tinha o nosso modelo do vidro. Tínhamos que esperar dois dias para a encomenda chegar de Townsville. Resolvemos ficar do jeito que estava e consertar na próxima cidade,  pois o vidraceiro garantiu que o vidro não cairia, já que só a parte de fora tinha quebrado e a que fica por dentro do sanduiche de plástico estava inteira.

Do vidraceiro fomos para um Caravan Park um pouco depois da cidade, que já tínhamos ficado antes, mas custava A$ 37 por noite. Ligamos pelo celular para outros Caravan Parks e achamos um de A$ 25. Fomos direto para lá e por coincidência, a rua de acesso era bem na frente do vidraceiro, ou seja, tivemos que voltar tudo. O Caravan Park era bem bonzinho, e pudemos escolher entre dois sites. Escolhemos o maior, onde poderíamos armar o toldão para nos proteger do Sol. Ao lado tinha uma família de 5 pessoas, todos muito obesos, e fiquei imaginando como dormiam dentro daquela caravan pequena. Com o tempo descobrimos que eles passam o dia sentados nas cadeiras e não fazem mais nada, a não ser comer. No outro lado, tinha uma casal que vivia dentro de um ônibus enorme e que saiam para trabalhar todas as manhãs bem cedo. Essa seria nossa vizinhança por duas noites.

Depois de um lanche passamos a tarde fazendo tarefas fundamentais. A Celia organizou o material de pesca, enquanto eu fui consertar a hélice doente. Primeiro fiz um enxerto de fibra picada com resina usando fita adesiva para mantê-lo no lugar, e depois uma espécie de sanduiche, vestindo 2 camadas de tecido de  fibra de vidro de cada lado, resinando e lixando. Ficou igualzinho as outras pás, só que vermelha. Agora bastava deixar no Sol para curar bem. Ficamos discutindo o que seria o jantar, e resolvemos que jantaríamos fora. Em Airlie tínhamos comido uma das melhores pizzas de nossas vidas, num restaurante bem legal na rua principal, e agora queríamos testar de novo.

Airlie Beach é um lugar de badalação. Turistas do mundo inteiro em sua maioria jovens, vêm atraídos por vários esportes náuticos, mergulhos em recifes de corais, cursos de mergulho, e noitadas em boates, pubs e restaurantes da cidade. A rua principal (foto) fica ao lado da praia, que é uma das piores da Austrália, a não ser que você seja caranguejo e goste de lama. Por isso, a prefeitura construiu um piscinão, trazendo areia branca e decorando com palmeiras, como um paraíso tropical. Para o Australiano é assim, se não tem praia a gente cria uma, mas sem praia a gente não fica. A rua principal é constituída de muitos restaurantes, boates, lojas vendendo tours, lojas de souvenirs, internet café, e muitos pubs e barzinhos para manter a galera alegrinha.

Quando escureceu fomos para o restaurante, e ele continuava igualzinho. Fui até a parte onde um pizzaiolo virava e rodava massas de pizza por cima da cabeça, e quando me aproximei ele me olhou e falou..." You are the brazilian guy, aren't you?" Eu reconheci o sujeito. Era o mesmo Pizzaiolo de 7 anos atrás. Curioso, perguntei como ele se lembrava de mim, e ele falou que poucas pessoas vão até lá elogiar o trabalho dele, e eu na época tinha inclusive dado A$ 10 de gorjeta. Eu tinha me esquecido, mas ele não. Pedimos 1 pizza para cada, que era do tamanho do prato e custaram A$ 18 cada. Assim como da outra vez vieram deliciosas, e muito bem servidas de ingredientes. São assadas em forno a lenha e a "mozzarella" vem de Ingham, aquela cidade italiana que passamos antes. Tomei uns 3 chopes e passamos um bom tempo olhando o movimento das pessoas na rua. Ao pagar a conta, fui lá dentro me despedir do pizzaiolo e dar outros A$ 10 de gorjeta. Ele me agradeceu, apertou minha mão, e eu falei..."See you again in seven years time". Voltamos para o carro passamos por pubs e boates e o movimento de gente estava crescendo. Pessoas chegando a todo momento. Dei as chaves para a Celia dirigir a Van, pois com 3 chopes eu já estaria acima do limite legal, e fomos direto dormir.

Praia artificial de Airlie Beach

Outro ângulo da praia artificial

Especulação imobiliária em Airlie Pub

Rua principal de Airlie Beach

Airlie Beach - Ilhas Whitsundays

Acordei bem cedo e fui direto lixar a hélice do barco pois ela ainda tinhas uns calombos. Consegui finalmente deixa-la mais lisa que bunda de neném. O projeto do dia era de botar o barco na água e conhecer algumas das ilhas mais próximas da costa. As Whitsundays são um conjunto de 74 ilhas dos mais variados tamanhos. Umas são privadas e hospedam Resorts de tão alto luxo, que até siri usa pulseira de ouro nas garras. Algumas são parques nacionais marinhos e outras abrigam belezas naturais com enormes recifes de corais bem rasos e de fácil acesso. Uma ilha em especial, tem uma praia de areias brancas (de puríssima silica) que atrai turistas do mundo inteiro chamada Whiteheaven, ou paraíso branco. Muitas pessoas consideram essa praia a mais bonita do mundo. Existem muitos tours de barco para lá. Nós infelizmente dessa vez não vamos visita-la, pois teríamos que navegar mais de 70 milhas náuticas (ida e volta), e com a velocidade do nosso barco fica impraticável. Toda a região em volta é de floresta que beijam o mar, descendo em paredões altos como se fosse Fiords (veja foto acima).

Nota: Um dos cartões de memória de nossa camera digital deu prego, e perdemos umas 50 fotos desse dia. Por isso o parágrafo abaixo não tem foto, e as restantes foi tudo o que sobrou.

Paramos num posto de gasolina BP logo na saída do Caravan Park, e fomos abastecer os tanques do barco. Tirei todos os tanques da mala, mas quando fui botar gasolina só tinha o tipo da especial, que é caríssima. Resolvemos deixar para enchê-los com a gasolina comum em Shute Harbour. Esse lugar fica à  27 Km de Airlie Beach e é uma península de onde saem a maioria dos passeios, seja de helicóptero, avião, catamarãs, lanchas ou veleiros. É uma espécie de porto para os barcos de recreação. A estrada é muito bonita, com lindos visuais de montanha e mar, além de uma pequena serra para transpor. Quando chegamos, achamos um posto, mas cadê os tanques? Esquecemos de coloca-los de volta na Van. Voltamos todo o caminho e os tanques não estavam na bomba que paramos. Fui na gerência e o sujeito perguntou de que cor eram, e eu respondi...ambos vermelhos. Ele se abaixou pegou os tanques e me deu. Em retribuição resolvemos encher os tanques ali mesmo, mesmo pagando 30% a mais pela gasolina.

Já era quase meio dia quando chegamos em Shute Harbour. O problema era arranjar uma vaga no local, pois a área é pequena e espremida entre montanhas e mar. A estrada vira uma única rua, bem estreita e sem acostamento para parar. Dei umas 3 voltas no estacionamento da marina, até que arranjei uma vaga. Ao descer do carro descobri que ali era proibido estacionar. Depois de mais outras tantas voltas, percebi que se eu movesse uma motocicleta estacionada um pouco para trás, daria para a Van entrar na vaga. Deixei o barco e material na rampa enquanto a Celia ficou guardando a vaga e estacionei o carro. Já sabia que não iríamos muito longe pela hora, pois tudo estava dando errado nesse dia.

O entusiasmo voltou logo que o motor foi ligado e partimos para explorar algumas ilhas. A primeira que fomos era bem pequena e tinha uma prainha com algumas pessoas lá. Demos uma olhada nos corais, mas estes nem chegavam aos pés daqueles que vimos em Bowen. O grupo que estava na ilhota era em sua maioria de Ingleses e faziam um tour de Kayak pelas ilhas com guia. Ficamos só um pouco, pois a ilha era bem pequena e só tinha aquela praia para ficar. Resolvemos pescar de barco no outro lado da ilha, e mais uma vez não pescamos nada. A correnteza estava forte e toda hora a linha se prendia em pedras. Para complicar ainda estávamos mais ou menos na rota dos barcos para Whitheaven Beach, e a cada 5 minutos tínhamos que aturar marolas que pareciam mais um Tsunami.

Fomos para outra ilha e depois para outra e outra. Todas eram bonitas, mas não sei porquê, nós estávamos achando bem menos legais do que as de Mission Beach. Parecia que o local tinha sido explorado até o extremo pelo turismo, e onde mergulhamos encontrávamos corais muito danificados e água não tão clara, pois a cada minuto passavam barcos grandes fazendo enormes marolas. Ainda fomos para uma ilha muito bonita e paramos por um bom tempo. Lanchamos os sanduiches que levamos, e depois ficamos tomando sol na areia. Sem saco de pescar e mergulhar e ficamos o resto do dia só gasolinando de barco, olhando a paisagem. Voltamos às 4 da tarde, nesse ponto da viagem ainda não sabíamos que tínhamos perdido a maioria das fotos de Airlie Beach e Whitsundays. A única coisa a acrescentar, foi que na volta ao chegarmos a rampa descobrimos que alguém tinha esquecido uma mangueira presa na torneira, e assim a lavagem do barco foi feita bem rápida.

Para o Jantar fizemos a coisa mais simples e mais rápida do mundo, clássica de acampamento, miojo com ovo e banana. Depois ficamos assistindo TV no computador e quando acabou o noticiário vimos um DVD. Resolvemos não ficar mais em Airlie Beach e no dia seguinte o plano era ir para Cape Hillsborough, perto de Mackay, onde aquela longa chuva tinha começado durante nossa subida para o Norte. 

Tour de Kayak nas Whitsundays

De Airlie Beach ao Cape Hillsborough - 255 Km

O orvalho de manhã mais uma vez molhou o toldão e tivemos que esperar secar para desmonta-lo. Fazia 8,5 graus apesar do céu azul, mas logo logo esquentou. Comemos cereal com frutas e saímos do caravan park. Precisávamos fazer compras de comida, aproveitei para comprar um caixa de cerveja, pois sabíamos que no cabo só tem uma birosca pequena dentro no Caravan Park. Pegamos a estrada às 9:00 e estava boa, com um ou outro carro lento, mas fluía bem. Levamos 4 horas para fazer os 255 Km devido a muitas curvas e um forte vento contra que eu tive que pisar fundo e jogar o consumo na lua. O Caravan Park/Resort de Cape Hillsborough é a única acomodação existente no Cabo, pois toda área é um Parque Nacional. Nos deram um local muito apertado, bem em frente ao banheiro e de uma churrasqueira. Toda hora passava gente e não estávamos nos sentindo bem ali. Pedimos para mudar e formos para um bem melhor com bastante espaço, incluindo plataforma de concreto. Só que tinha uma ribanceira ao lado, e teríamos que ter um pouco de cuidado.

A primeira coisa que fizemos foi dar uma volta na praia. Ventava bastante, mas ficamos andando por mais de duas horas pela praia totalmente deserta até perto do Cabo. Toda essa região foi formada por uma gigantesca erupcao vulcânica perto dali, e as bombas de lava que foram arremessadas, caíram em várias partes da praia, criando esculturas muito Interessantes. Essa praia também é famosa por haver uma colônia de Cangurus que vive na praia, inclusive se alimentando de alguns frutos do mar. Não vimos nenhum por enquanto, mas nos disseram que eles só aparecem de manhã cedo.

O vento diminui e ficou possível uma sessão de fotografia aérea de pipa. Pegamos o material todo e voltamos para a praia. De vez em quando vinha uma rajada forte e me obrigava a soltar linha, senão poderia arrebentar ou quebrar a pipa, ou ainda pior embicar para o chão. Nessas rajadas, sentia a linha queimando minha pele por cima da luva, um acessório fundamental para este hobbie. A pipa estava puxando uns 20 quilos ou mais, e me obrigava a fazer uma verdadeira queda de braço contra ela. Com esse vento se eu quisesse, poderia pendurar umas dez cameras no rig, ou até mesmo levantar uma filmadora profissional. Eu gosto dessa situação, porque é um desafio que força a pessoa a antecipar o que o vento vai fazer, e assim tomar a atitude correta para não ver os A$ 1000 em equipamento, indo parar em cima de uma árvore ou no fundo do mar. Se alguém pretender um dia entrar nesse hobbie, a principal coisa que tem que saber é conhecer sua pipa muito bem e praticar bastante, por exemplo pendurando uma garrafa d'agua (de plástico) na linha, antes de pendurar uma camera.

O Sol se pôs e fomos cuidar da barriga que estava roncando. Usando a churrasqueira do Caravan Park que tem chapa à gás, fizemos bifes com cebola, pimentão e tomates, tudo grelhado na chapa. Cozinhamos umas batatas e arroz. Amanhã iremos explorar o Cabo por várias trilhas que têm pela mata, e quem sabe com sorte, ver cangurus na praia de manhã cedo. O lugar é extremamente bonito e gostoso de ficar, muito tranquilo, incluindo o pessoal do Caravan Park. A TV do computador não pega ali, mas ainda tínhamos vídeos para assistir. Vimos um filme brasileiro, com atores famosos, mas girava o tempo todo sobre sexo, traição, problemas domésticos e financeiros, enfim era melhor dormir.

Foto de pipa - Cape Hillsborough

Foto de pipa - Passo sincronizado

Vegetação do Cabo

Sorria querida - Vou tirar uma foto

Teste antes de subir a pipa

Entrada p/ o Caravan Park

Cape Hillsborough

Essa noite foi mais quente que as outras. Talvez porque nosso "site" ficava abrigado de qualquer vento. Estava clareando, e quando abri minha cortina vi um monte de cangurus pelo Caravan Park. Preparei as cameras acordei a Celia, e fomos para praia conferir se os cangurus já estavam por lá. Não tinha nenhum. Tem um ditado que diz que se acorda com os galos cantando, no caso, nós estávamos acordando com os cangurus. Aliás, junto com eles.

O nascer do Sol foi fantástico, com as formações de pedras vulcânicas refletindo um vermelho forte, quase fluorescente. Toda a mata ao redor de verde passou a brilhar diferentes tons de amarelo. Os passarinhos também já estavam acordados e voavam de um lado para o outro em busca de comida. Um grupo de gaivotas brigava na areia, berrando umas para as outras para demarcar território. Ficamos bastante tempo fotografando o nascer do sol e as luzes da manhã. Só que até agora nada de canguru na praia. Voltamos para tomar um café rápido e voltar para a praia, mas os cangurus estavam mesmo é no Caravan Park. Vi um menino querendo dar pão para um canguru, e corri para avisá-lo que não deveria fazer isso, porque a fermentação do pão pode fazer um canguru passar muito mal, ou até mesmo morrer. Expliquei para o menino que cangurus comem somente grama, e ele me olhou com uma cara de não muito convencido, mas de qualquer forma parou de dar pão ao pobre animal. Eu expliquei que se o canguru tivesse comido o pão, a barriga dele ia inchar tanto, que teriam que chamar um médico de cangurus, ou então ele iria morrer. Convencido, o menino comeu o resto do pão e foi embora. Tomamos um bom café da manhã com omelete de queijo, pão com manteiga e geléia, e as tradicionais frutas da região, bananas, abacaxi e tangerinas ultra doces.

Uma senhora que mora no Caravan Park pegou um balde e encheu-o com grama, e foi em direção da praia. Toda a canguruzada seguiu ela, além de nós e outras pessoas do Caravan Park. Ela distribuiu a grama em vários lugares diferentes, e em cada montinho juntou um grupo de cangurus. Eles não se espantam fácil, pois já estão acostumados com gente, e pode-se chegar bem perto. Notamos que não eram só cangurus, mas haviam vários Wallabies também (a diferença é que Wallabies são menores e tem o focinho mais fino e mais comprido). Quando a grama acabou, alguns cangurus ficaram vagando pela areia procurando frutos do mar, e outros deitaram para tomar Sol. Rimos muito quando um canguru se invocou com uma gaivota e saiu numa frenética perseguição por pura brincadeira. Foi impressionante a velocidade que ele atingiu, e por pouco não a alcançou. Nós já tinhamos visto muitos cangurus pulando pelo mato, e até mesmo nadando, mas nunca tínhamos visto um canguru na máxima velocidade. É muito impressionante. Calculei que cada pulo devia cobrir algo entre 8 e 10 metros de chão, senão mais.

Voltamos ao nosso "site" e nos preparamos para fazer as trilhas do Cabo. Trocamos as sandálias pelos tênis e colocamos na mochila água, umas barras de cereal para energia,  cameras, e em seguida começamos a subida do morro. A vegetação é muito bonita e a trilha bem demarcada e limpa, o que afasta o perigo de se pisar numa cobra. Tinham muitos pássaros, muitos periquitos, e passarinhos de cores e tamanhos diferentes. A subida é bastante íngreme, como uma escada sem fim por entre mata e pedras. Nenhum passo é feito no plano, sempre para cima, forçando bastante os joelhos. Na metade do caminho paramos em cima de uma plataforma de pedra para descansar, e um casal da nossa idade também subia a trilha. Eles passaram e nós nos cumprimentaram e continuaram a subida. Nós seguimos, uns 50 metros atrás deles. Chegamos no topo do morro e havia uma placa indicando duas trilhas, ambas para mirantes diferentes. O "Twin Beach Lookout" ficava à 100 metros, e o "Turtle Lookout" à 850 metros de distância. Fomos primeiro no mirante mais perto.

Quando chegamos, o casal que nos ultrapassou estava lá e eles puxaram conversa conosco. A mulher falou sobre a beleza daquele dia, e o marido falou que já tinha sido amante da fotografia, possuindo várias cameras e lentes, mas que vendeu tudo poucos meses atrás. Mostrei minha Panasonic com zoom 12 vezes e ele ficou bastante interessado no modelo. Reparei que a "ilha" que havíamos visto antes da praia não era uma ilha, mas sim ligada ao continente por um ístmo. O casal nos explicou que a maré estava baixando e era possível ir na ilha a pé, desde que não nos demorássemos muito senão teríamos que nadar na volta com a maré cheia. Tirei muitas fotos de toda a região de vários ângulos diferentes, e voltamos a conversar com nossos novos companheiros de trilha. Nos apresentamos e eles já tinham morado na Gold Coast, mas compraram uma chácara nas montanhas perto do Cabo. A localização era bem dentro da antiga cratera e já faz 8 anos que eles moram lá. Eles perguntaram se iríamos ao outro mirante e fomos juntos. O casal entendia bastante das plantas e dos pássaros locais, e iam nos explicado cada qual pelo caminho. Falaram também que ambos eram vegetarianos. Observamos que por causa da chuva recente, a vegetação estava muito bonita e verde, o que eles concordaram com um aceno de cabeça.

Dalí, fomos para o mirante da Turtle Bay, que se constituía de uma plataforma de madeira com cerca de proteção, avançando para fora sobre um abismo que descia direto ao mar. Eles nos explicaram que se olhássemos com calma, íamos ver tartarugas marinhas, e por isso o mirante tem o nome de Turtle Lookout. Passaram alguns minutos e nosso amigo avistou uma, e depois outra. De repente escutamos barulhos muito fortes no mar, como pás de remo batendo na água, e o mar ferveu. Um cardume de Atuns bem grandes atacavam freneticamente um cardume de peixes pequenos, e davam corridas explosivas submersos em busca da presa. Tentei uma foto, mas com tal velocidade eu não conseguia enquadrá-los com o zoom. Nossos amigos nos apontaram a direção da casa deles, bem ao fundo da baia no alto do morro, e nos perguntaram se queríamos passar o final da tarde lá e tomar um chá. Agradecemos, mas falamos que iríamos embora amanhã cedo, e ainda tínhamos muito para ver. Combinamos que amanhã de manhã, quando saíssemos do Caravan Park, passaríamos por lá. Sugeri de irmos na ilha, o que foi aceito por todos, e juntos descemos uma outra trilha para a praia. A maré ainda descia e daria tranquilamente para ir e voltar.

As pedras até a ilha eram bastante pontudas e irregulares e tínhamos que andar com cuidado para não cair. No caminho haviam muitas outras pessoas, bem como crianças coletando conchas, e outra preciosidades que conseguem entreter uma criança por horas à fio. Sentamos um pouco numa pedra e ficamos observando a paisagem. Nossos amigos estavam muito interessados nas frutas e plantas do Brasil, principalmente as da Amazônia, pois eles estavam fazendo um pomar na chácara, e já tinham plantado Acerola e algumas frutas da Ásia com bons resultados. Como eles eram vegetarianos conversamos sobre o Aipim ou macaxeira chamada de aqui de Cassava. Os Australianos não conhecem essa raíz muito bem, apesar de ser largamente usada e plantada nas ilhas do Pacifico Sul, e assim explicamos como é, e maneiras de prepará-la. Voltamos pela praia, e ao chegar no Caravan Park, mostrei o equipamento que uso para fotografia aérea de pipa. Ele ficou bastante interessado, e eu dei vários endereços na Internet para ele pesquisar, além de dicas de como construir um "rig". Eles mais uma vez insistiram para que fossemos à casa deles, e se quiséssemos poderíamos dormir lá, economizando assim uma diária de Caravan Park. Eu resolvi ser sincero, e falei que havíamos chegado ontem, e queríamos ficar relaxando ali, sem andar de carro, e ficar simplesmente curtindo um pouco aquele paraíso que estávamos. Agradecemos mais uma vez o convite, e ficou combinado que amanhã quando fossemos embora iríamos parar lá. 

O resto da tarde aproveitei para descarregar as fotos no computador. Foi aí que a merda aconteceu. O cartão que estava em uso deu a informação de que precisava ser formatado, e não haviam fotos registradas. Quase enlouqueci ! Era um cartão de 1 Giga e ali estavam as fotos das Whitsundays e as do dia de hoje. Tentei de tudo, mas nem a camera, e nem a leitora de cartões do computador conseguiu resgatar uma foto sequer. Em casa eu tenho um programa que resgata arquivos, mas eu não sabia se iria ou não recuperar. Combinei com a Celia que amanhã cedo, iríamos fazer tudo de novo. Fotografar os cangurus, subir o morro, ir nos mirantes e na ilha. Já que estávamos ali, sair sem registro fotográfico nem pensar, apesar de ter tirado fotos de pipa com a outra camera.

Quando o Sol se pôs esfriou um pouco, e resolvemos fazer uma sopa de legumes com miojo, e esse foi o nosso jantar. Antes de dormir, ainda tentei novamente resgatar nossas fotos do cartão com defeito, e mais uma vez não obtive sucesso algum.

Nota: Quando chegamos de viagem, o programa que tenho resgatou a maioria das fotos, mas perdemos quase todas as de Airlie Beach e Whitsundays. Se você estiver interessado(a) nesse programa, o nome e " Bad Copy Pro". Muito bom, simples de usar, e barato. 

Eu pego essa gaivota hoje!!!

Esquecemos os óculos escuros

Antigas crateras

Cuidado, pedras soltas

Mundo vermelho

Desenhos da maré baixa

Minúsculas criaturas da areia O Caravan Park fica logo atrás desses coqueiros.

Do Cape Hillsborough a Yeppon - 450 Km

Essa noite fez frio novamente e a temperatura deve ter encostado nos 10 graus. Fomos até a praia para outro fantástico nascer do Sol, e em seguida subimos o morro para fotografar tudo de novo por causa do cartão de memória defeituoso. Subimos em 15 minutos o que ontem fizemos em 35, sem parar para descansar. Parece que nossos músculos estão em boa forma. Não fomos no mirante das tartarugas e nem na ilha. Só queríamos o visual da praia de cima, já que naquele ponto a pipa não chega por causa do penhasco e folhagens. Passei mais um tempo fotografando enquanto a Celia voltou para o Caravan Park, e meia hora depois já estávamos na estrada.

O dia estava lindo e paramos na casa de nossos amigos Australianos que conhecemos ontem. O local era de sonhos, e a casa ficava bem no alto de uma colina com uma vista espetacular. Um gramado enorme e bem cuidado na frente da casa, e atrás uma montanha de pedra imponente, que na verdade era a cratera do extinto vulcão. Eles nos contaram que ele era dentista e ela dobrava como secretária e enfermeira da clínica. Um belo dia, visitando esse lugar, se encantaram com a área. Venderam a clínica, compraram essas terras e construiram uma boa casa pensando em se aposentar para sempre nesse paraíso. E foi aí que o dia acabou para a gente... A Celia brincou com o cara dizendo que ele estava muito magro, e ele engoliu em seco e respondeu num tom baixo- "Eu estou morrendo de câncer". Aquilo fez um efeito devastador em nós, e por um tempo ficamos em silêncio. Nisso, a mulher se vira para gente e também falando baixinho, disse -" E o pior é que eu também estou". Ficamos completamente mudos, e sem saber o que falar. Eu tentei elevar o espírito, falando que a medicina está bem evoluída, que pessoas diagnosticadas com esse mal tem tido maior índice de sobrevivência, etc...etc...

Eles contaram que descobriram a doença há 4 anos atrás. primeiro foi ele, e um ano depois ela. O médico havia dado no máximo 8 meses de vida para ele, e 1 ou 2 anos para ela. Ambos relataram que provavelmente a doença foi consequência de muita exposição aos "Raios X" da máquina da clínica. Para combater a doença, foram procurar auxílio espiritual em videntes, herbalistas, naturalistas, e todo tipo de ajuda possível. Uma das opções era incluir uma total desintoxicação, tinham que limpar o corpo. Por isso viraram vegetarianos orgânicos, e retiraram todo e qualquer metal do corpo incluindo próteses dentárias. Eu perguntei como eles conseguiram subir aquele morro, e eles nos disseram que há 4 meses atrás estavam ambos na cama, sem ter forças para fazer compras nem comida, e graças a limpeza do corpo e um tratamento espiritual e holístico estão se sentindo melhores. Ambos se recusam em fazer radioterapia e usar tratamentos convencionais, coisa que não concordamos inteiramente. Depois de falar que nós sentíamos muito por eles, eles nos levaram para conhecer a propriedade. Andamos pelo pomar que tinha uma variedade enorme de árvores frutíferas, e com um cesta colheram algumas. Já estava na hora de ir embora, e nos despedimos. Eles nos deram a cesta com as frutas de presente, e nos convidaram para sempre que quisermos ficar na casa deles, bastaria aparecer. Tiramos muitas fotos juntos, mas por respeito, decidimos não colocá-las aqui e tão pouco mensionar os nomes deles.

Muito abatidos, pegamos a estrada de novo, e dessa vez iríamos contornar Mackay. Quando passamos perto dela, ainda dei uma olhada na temperatura do carro, mas estava tudo normal. A estrada estava boa, e fizemos uma media de 100 Km/h. A Celia foi no banheiro varias vezes durante o trajeto, o que passou a me preocupar bastante, pois parecia ter desenvolvido uma cistite. Queríamos dormir em Yeppon, perto de Rockhampton.  A Celia não se lembrava desse lugar, e seria uma boa ocasião para revermos a cidade e quem sabe, explorá-la também de barco. Nós chegamos em Yeppon no final do dia, e eu estava exausto de dirigir. Fomos no primeiro Caravan Park que encontramos. Era caro além do "site" ser uma porcaria, imprensado entre uma Caravan e uma Motorhome. Se um de nós desse um pum, iríamos matar gente ali. O próximo Caravan Park ficava à mais de 20 Km, mas mesmo assim encaramos um pouco mais de estrada. Chegamos numa espécie de lago, com um parque bastante arborizado e fomos na recepção. Conseguimos o último "powered site" e o lugar era bom, ainda por cima o mais barato que encontramos na viagem, custando somente A$ 18 a noite. Esqueci de anotar o que jantamos naquele noite e por isso me esqueci. Provavelmente a gororoba não ficou gostosa a ponto de despertar nossos neurônios recordatórios. Fomos dormir cedo e um pouco tristes pela sorte de nossos novos amigos, mas a vida é assim.

Emus na pista

Sonolentos pelicanos

Na Austráália Papai Noel anda de esquis aquático, puxado por um peixe Barramundi. 

Os Victorians - Aposentados de Melbourne que viajam em grupos, se encontram nos Caravan Parks. As mulheres tomam vinho, enquanto os homens pescam.

Vista do lago a partir do "site" que ficamos em Causeway Lake. 

Por do Sol em Causeway Lake, Yeppon. 

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