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Viajando a Austrália:
Brisbane à Cairns
"Quinta Semana"

Yeppon

Outro dia com um espetacular nascer do Sol na praia que fica à uns 200 metros do Caravan Park. O Sol está saindo às 6:10, e as quinze prás seis eu já caminhava para a praia com a camera em punho. Encontrei no caminho um senhor que ía pescar da ponte da estrada, e ele disse que ontem nessa hora pegou um "Flat Head" de bom tamanho. Esperei uns 5 minutos para vez se alguma coisa beliscava, mas acabei indo rapidamente para praia ou iría perder o nascer do Sol. A maré estava bem baixa, e tive que andar quase outros 200 metros para chegar no mar. Uma bela formação rochosa na areia que refletia um vermelho recebeu varios clicks, e a Great Keppel Island, 10 milhas na frente de Yeppon, já apresentava uma áurea de luz por trás. O dia ía raiar.

Tirei fotos e voltei para o Caravan Park para tomar Café da manhã, e quando passei pelo velho da ponte, ele ainda não tinha pego nada. Quando cheguei a Celia preparava o café da manhã cheia de frio, e com um monte de casacos em cima. Estava muito frio naquela manhã, 8 graus cravados. Sugeri um banho quente para a Celia, enquanto eu acabei de preparar a gororoba matinal. Depois do café, decidimos que não iríamos colocar o barco na água porque o frio de manhã cedo não, estava nada convidativo para nenhum tipo de esporte náutico. Por isso decidimos passear de carro na cidade, bem como conhecê-la, pois eu também já tinha me esquecido de como ela era.

Saímos com a Van bem devagar pela estrada, olhando a paisagem com toda a calma. Hoje, nós seríamos os murrinhas da estrada, só que toda vez que vinha um carro, eu ia para o acostamento e dava passagem (tenho que ensinar isso pros velhinhos das Caravans). A topografia de Yeppon é de várias enseadas emendadas, umas bem abertas, e outras em forma de ferradura. Passamos muitas praias, e apesar da areia não ser branca, o visual era interessante. Continuamos uma pouco mais adiante, e vi um posto oferecendo gasolina barata. Para quen não sabe, postos na Austrália podem vender o combustível pelo preço que bem entenderem, mas a competição acirrada faz os preços ficarem bastante parecidos. De qualquer forma, se a pessoa sempre procurar o mais barato, no final de uma viagem como essa vai sobrar uns A$ 100 no bolso. Postos de gasolina não têm atendentes, e é você mesmo que abre o tanque, põe quanto quiser de gasolina e depois vai lá dentro pagar. Para tal, basta falar o número da bomba que o sujeito já tem no computador o valor à pagar. Alguns postos fizeram acordos com cadeias gigantes de supermercado, e isso quer dizer o seguinte: Para cada dólar comprado no supermercado, você tem 4 centavos de desconto por litro no posto, bastando apresentar a nota de compra. Sendo assim, os postos colocam um preço bem mais baixo no cartaz na beira da estrada, e se você não tiver uma nota do supermercado, paga 4 centavos por litro à mais. É uma espécie de sem-vergonhice da boa, mas é legal. 

A gasolina estava a A$ 1,18 o litro, e resolvemos encher o tanque. Em dois postos anteriores custava A$ 1,23, e 1,25 respectivamente. O dono do posto era um Chileno, e em Espanhol, conversamos um pouco. Queríamos comprar peixe fresco, pois Yeppon junto com Bowen são os poucos lugares na Austrália onde se compra peixe fresco direto do pescador. O Chileno nos indicou o caminho e fomos direto para lá. Era uma Segunda feira, e não havia muita oferta ou variedade. A mulher me explicou que ontem, Domingo, os moradores de Rockhampton que vem passar o dia na praia, compram quase tudo antes de voltar para a casa. Hoje, os barcos não saíram pro mar e teríamos que nos contentar com o que ela tinha lá. Escolhemos uns filés de peixe bem grossos e de bom tamanho cujp nome continua um mistério para nós, e seguimos adiante. Paramos num local à beira-mar que tem um paredão de pedra que desce mar adentro. Achamos interessante a formação de blocos hexagonais (foto), demostrando terem sido formadas numa erupção vulcânica. Dalí resolvemos ir para o centro da cidade.

O centro de Yeppon é pequeno, com uma avenida beira-mar e ruas paralelas correndo 3 ou 4 quarteirões para dentro. Só vimos um prédio que é um hotel, sendo todo o resto da cidade de não mais de 2 ou 3 andares. Paramos num supermercado para reabastecer a dispensa, e depois ficamos andando um pouco a pé. Nada nos atraiu a atenção, e entendemos o porque de não nos lembrarmos da cidade. Paramos num Tourist Information e pegamos folhetos sobre a região. A única coisa que nos interessava era ir até a Great Keppel island, mas naquele dia frio, apesar do Sol, não dava vontade. Fomos então para um Internet café botar a correspondencia em dia, e aproveitei para atualizar este website. Da cidade voltamos para o Caravan Park, e passamos o resto da tarde fazendo coisas rotineiras, do tipo lavar roupa, consertar coisas quebradas, e arrumar a zona na Van.

Uma das coisas que mais nos chama a atenção na Austrália, é a maneira como os velhos vivem. Eles não ficam em casa vendo TV, e saem para a estrada em suas Caravans morcêgas. São bem humorados, extremamente amigáveis, gostam de conversar, além de serem  engraçados. Um casal nos seus quase 80 anos, numa Caravan ao nosso lado, sabendo do frio que passamos na noite passada, fez questão de nos emprestar um aguecedor elétrico. Eles nos mostraram também fotos das viagens que fizeram na Austrália, e até agora percorreram 15.000 Km em 3 meses. Quando o marido resolveu ir pescar, e a mulher falou para ele esperar um pouco que ela ía também, outro casal de velhinhos no outro lado da rua falou em voz alta..."- Fulana, não vai não! Não está vendo que faz mais de 50 anos que ele está querendo ser ver livre de você, e você não deixa o homem em paz". Nós e outras pessoas riram e apoiaram a sugestão. Esse é uma das melhores partes de se viajar na Australia em Caravan Parks. Esses Australianos mais velhos são pessoas das mais espetaculares de se conhecer. Infelizmente o mesmo não pode ser dito da geração mais nova, nos seus 20 e poucos anos, que é bem mais fechada e talvez por motivos financeiros quase não viaja. Chegamos a conclusão que ficar velho na Austrália é uma coisa muito legal, e quando penso em meus pais de quase 80 anos no Rio de Janeiro, praticamente presos dentro de um apartamento com medo de sair na rua por causa de assaltos e falta de respeito, fico imaginando se eles estivessem aqui.

O Jantar foi Peixe grelhado na chapa com arroz, batata, cenoura e brócoli, e o peixe estava muito gostoso. Valeu a pena comprá-lo. Após o jantar, conversamos um pouco e resolvemos que amanhã iríamos para a cidade de 1770, e deixaríamos a Great Keppel Island para outra oportunidade. Vimos o noticiário na TV, e a previsão do tempo indicava nenhuma nuvem no céu por mais uma semana, mas o frio de manhã cedo iría continuar. Ligamos pelo celular para nossos filhos e sabendo que tudo estava bem com eles fomos dormir.

Centro de Yeppon

Enseada e Great Keppel Island no Horizonte

Peru selvagem Australiano

Vendinha do Caravan Park

Nosso "site"

Formação de pedras na praia

Panorama da praia onde fica nosso Caravan Park

Yeppon - Town of 1770 - 332 Km

Pegamos a estrada cedo ainda escuro. Estava com um pouco de medo de atropelar um Canguru, pois esses 45 Km até Rockhampton é cheio deles. Eles ficam em cima ou na beira da estrada para se esquentar no asfalto morno. O farol do carro cega eles e muitas vezes quando estão no canto, na última hora resolvem pular para o meio da pista. Durante essa viagem, estimamos ter visto mais de 1000 cangurus atropelados, e nessa estrada tinha um monte de carcaças na pista. Mas correu tudo bem, e o único que vimos pulou para dentro do mato. De Rockhampton até a cidade de 1770, foi somente pau na estrada, e não temos nada de interessante para relatar. A minúscula cidade de 1770 além de ser muito bonita, é considerada histórica, pois o então Tenente James Cook parou lá para buscar água para o navio. Quando desembarcaram, viram um monte de perus selvagens na areia, e tentaram pegá-los para o jantar. Os perus eram mais rápidos e o Cook chingava-os de bastardos na tentativa de agarrá-los. Por isso a ponta é chamada de "Bastard Point", e a cidade ficou com o nome do ano que o Cook esteve lá. Chegamos por volta das 10 horas da manhã, pois saímos de Yeppon às 4:30 da madrugada.

Conseguimos um site bem na beira do canal que liga o estuário ao mar com vista privilegiada e sombra. Resolvemos armar somente o toldinho azul e botar a mesa e cadeiras para fora, e em seguida fizemos um lanche. A Celia foi pescar em frente de onde estávamos, e eu resolvi que não queria fazer nada, somente ficar quieto descansando da estrada. Abri uma cerveja gelada, me encostei na cadeira, e fiquei apreciando a vista. O vento estava fraco, mas estava sentindo que aumentava aos poucos, e se continuasse assim, iria dar para fazer uma boa sessão de fotos aéreas de pipa. O Caravan Park é da prefeitura, mas agora esta sob administração nova, e estão aumentando o número de sites. O lugar ficou altamente concorrido pelo fato de ser um pequeno paraíso. Muitos Australianos de Brisbane e imediações tiram férias lá. As pessoas trazem barcos, a geladeira, a televisão de casa, e até mesmo sofás. Trazem tudo num reboque, e o carro parece um fórmula 1 de tão baixo por causa da bagulhada dentro. Uma verdadeira farofada. Eles passam semanas alí com a família e amigos, e tem gente que todo o ano sem falta tira férias no mesmo lugar, inclusive já reservando o mesmo site para o ano seguinte.

A Celia é claro voltou sem peixes, e fomos dar uma volta pela praia. A parte mais molhada da areia é cheia de "bolinhas" que parece arte abstrata, por causa de uns caranguejos pequenos que vivem lá. Mas vimos dessa vez um fenômeno que nunca tínhamos visto antes. Centenas ou talvez milhares desses pequenos caranguejos azulados, se movendo e se aglomerando numa única massa crustácea. Parecia o que chamam no Brasil de "Correção de Formigas". Na medida que nos aproximávamos em direção ao mar, a massa se tornava ainda mais densa, e uns subiam por cima dos outros para não entrarem na água. Tiramos várias fotos e não parávamos de rir, pois os bichinhos andam muito engraçado.

Da praia fomos fazer uma sessão de fotos aéreas de pipa. O vento estava uma meléca, e variava desde muito fraco até rajadas muito fortes. Por pouco não levou ao desastre. Tentando evitar que a pipa fosse parar dentro d'agua por causa de uma rajada, eu dei linha demais, mas o vento parou de repente ou seja, ela despencou em cima de uma árvore. Sorte que a árvore era baixa e foi fácil resgatá-la. Eu queria fazer fotos aéreas bem na frente do Caravan Park, pois assim podemos trocar a foto com eles por hospedagem grátis, como já fizemos em alguns Caravans Parks. Mas o problema é que a Península de 1770 é muito longa e tem cerca de 150 metros de altura, o que faz sombra de vento no local onde estávamos. Para tal, precisaria de um vento vindo de outra direção. Assim, abortamos a sessão.

Iguanas são grandes e muito comuns na Austrália, já vimos em quase todos lugares que fomos. Elas crescem talvez até um metro e meio, mais a maioria tem 1 metro. Nesse Caravan Park em especial tem duas, e elas chegam bem perto por já estarem acostumadas com as pessoas. Elas são carnívoras e herbívoras, e assim basta alguém fazer um churrasco, que elas querem participar exercendo a função de lata de lixo orgânico. Nós tínhamos deixado uma frigideira com restos de ovos no chão para esfriar. Uns vizinhos fizeram sinal para gente, pois estávamos de costas e demos de cara com o bicho lambendo os restos de comida ao nosso lado. O departamento de conservação pede para as pessoas não alimentarem esses bichos, mas não tem jeito. Tem sempre uma criança que joga coisas para ela. Já vi jogarem até chocolate M & M, o que a Iguana sabiamente recusou. Essa Iguana já era nossa conhecida em 1770 de viagens passadas.

Lá pelas 6 da tarde, fotografamos mais um espetacular por do Sol. Aliás, desde que a chuva parou, não há um dia sequer que a gente não veja belos nascer e pôr do Sol. Resolvemos não fazer comida, e ir jantar fora num restaurante e pub perto da marina de onde saem os barcos para a Grande Barreira de Corais. Pedimos bife com fritas e salada. Fizemos logo uma reserva (booking) para um passeio amanhã até uma Ilha da Grande Barreira chamada Lady Musgrave - A$ 145 por cabeça. Já conhecíamos uma outra parte da barreira ali, quando fomos ao Fitzroy Reef e tinha sido fantástico. Amanhã pela quarta vez, vamos a mais uma parte da Grande Barreira de Corais.

Cuidado, vai pescar um tubarão! 

Milhares de mini-caranguejos

Ponto onde o então Tenente Cook desembarcou pela primeira vez em Queensland.

O Caravan Park de 1770

Praia na frente do Caravan Park

Foto de pipa - Canal do Estuário

Vista panorâmica da praia de Town of 1770

De Town of 1770 até a Barreira de Corais

74 milhas náuticas ida e volta

Essa era a segunda vez que iríamos até a Barreira de Corais à partir da Town of 1770. Na primeira fomos num conjunto de recifes chamado Fitzroy Reef e adoramos. Dessa vez iriamos numa ilha atol, chamada Lady Musgrave. O barco era um Catamarã bem maior do que fomos para o Fitzroy Reef e o preço também. De qualquer maneira um primo nosso já havia ido e gostou muito e nos recomendou essa ilha.

O barco saía cedo e às 8 da manhã já de café tomado, a van da companhia veio nos buscar. Entramos na fila de embarque e recebemos as boas vindas da tripulação. Logo que o barco partiu, tivemos um visual bonito de 1770, e o barco foi contornando bancos de areia ao longo do raso canal. Passa-se a saída da barra e entra-se em alto mar. A primeira coisa que a tribulação do barco fez foi distribuir sacos de vômito para a viagem de 1 hora e meia até o atol. O barco é rápido e navega em torno de 20 nós. Com o mar e o vento contra, cinco minutos depois já tinha uma gordinha botando o breakfast pra fora. Em seguida outra, e depois outra, e depois a criançada toda alegremente vomitava. Escutei muitas pessoas chamando um tal de "Rauuul", que até hoje não sei quem é, mas o sujeito certamente é bem conhecido, pois todos o chamavam pelo nome.  A Celia estava com aquela cara de peido, de quem está prestes a vomitar, mas estava se contendo, ou melhor, se contorcendo. Até que levantou da poltrona e saiu como uma bala para a borda do barco. Não deu tempo de chegar. A chuveirada saiu voando pelo convés até a popa, e atingiu uma turista estrangeira na cara. Imediatamente a tripulação veio com toalhas e um balde d'agua para a pobre vítima do ovo mexido da Celia. De presente, deram 10 sacos de vômito e uma pilha de toalhas de papel para a minha adorada esposa.  Nunca na minha vida vi a Celia correr tanto risco de vida. O olhar da turista que levou o banho era do tipo..."te pego na ilha, pode apostar".

Eu não enjoei, principalmente porque fui a maior parte do tempo em pé olhando para o horizonte em busca de uma baleia assassina ou um cardume de risonhos golfinhos. Naquele dia o vento estava forte e as ondas eram grandes. A tripulação não parava de trocar saquinhos, e acho que só uns 20 passageiros não enjoaram, além do Capitão e a tripulação. Chegamos perto da Ilha e entramos num canal entre os corais. O balanço parou, e muita gente agradeceu a Deus, inclusive eu, que já estava com uma leve dor de cabeça devido a fumaça de óleo diesel e ao suave aroma de ovos com bacon no convés do barco. O visual era lindo, daqueles de sonhos e de filme, e tudo aquilo num Parque Marinho preservado. É possível (e nós vamos um dia) acampar na ilha por até 3 semanas. Para isso, deve-se retirar uma permissão de A$ 7 por cada noite, e ser auto-suficiente em agua e alimento. O barco leva e busca pelo dobro do preço, o que nos faz sempre adiar o projeto por tempo indeterminado. Em caso de emergência há um rádio em cima do banheiro da ilha, onde outrora havia um hotel. O hotel foi desativado quando começou a Segunda Guerra, e a genial esposa do então Governador de Queensland, a senhora Lady Musgrave, teve a brilhante idéia de botar cabras na ilha, no caso de um barco Australiano ser afundado, os náufragos encontrariam comida na ilha. Antes mesmo da guerra acabar, as cabras já tinham devorado a ilha inteira, e estavam com tanta fome que se um náufrago chegasse, ele é que seria comido. Finalmente a ruminante Lady, resolveu botar o cabra prá fora, digo, as cabras para fora da ilha.

A primeira coisa que fizemos foi procurar o Capitão do barco e pedir permissão para usarmos a pipa para tirar fotos aéreas. Ele não entendeu a pergunta, e eu tive que explicar novamente, dessa vez mostrando o equipamento e explicando em detalhes. Ele não só deu permissão, como ficou entusiasmado com a idéia, e após fazer as tarefas que tinha que fazer veio se juntar a nós. O vento estava perfeito, sem variar nem um nó. A pipa estava chapada no céu como se alguém tivesse pregado ela lá. Isso era sinal de fotos focadas e com ótimo enquadramento. No esquema do barco, eles dividem os turistas em grupos e cada qual é levado para uma atividade diferente incluída no passeio e depois trocam num verdadeiro swing turístico. Por exemplo, um grupo vai para a ilha, enquanto o outro vai andar no barco de fundo de vidro, e outro no semi-submersível.

Um grupo estava saindo para um tour na ilha, e resolvemos ir também. A ilha literalmente fede a merda de passarinho, pois a quantidade de "Noddy Tern", uma espécie de gaivota pequena preta com a parte de cima branca, faz ninhos em toda a parte. Elas são migratórias, mas voltam na ilha a cada ano para ficar um bom tempo literalmente cagando goma. Após a Guerra, essa ilha deu muita grana para a Austrália por ser exatamente uma grande bosta. Uma empresa da Australia exportava "Guano" (ou cocô de gaivota) para servir de fertilizante no Japão. Em outras palavras, os Japoneses mandavam dinheiro para a Austrália e a Austrália merda para eles. Só que a demanda se tornou maior do que a merda produzida, e a empresa descobriu outra ilha mais bosta ainda no Pacífico, e para lá se mudou. Ainda passeando na ilha, com dois dedos enfiados no nariz e sem perder a gostosa guia de vista, vimos um grande rastro de tartaruga marinha, e a delícia explicou que os filhotes quase todos morrem por causa dos tubarões logo na beira da praia. Ela nos apontou alguns tubarões, de talvez 30 centímetros de comprimento, mas mesmo grandes, essa espécie chamada "Reef Shark" dificilmente ataca o homem (somente mulheres e crianças).

Na volta da Ilha para o flutuante onde o barco fica encostado, fazia bastante calor, e resolvemos pegar o material de mergulho que levamos, e ir pra dentro d'agua (eles fornecem grátis caso você não tenha). A água era expetacular, morna e transparente de cor turquesa. O fundo de corais era bonito, talvez em outras áreas certamente melhor, pois ali todos os turistas tem que ficar numa parte limitada por bóias, e como todo dia vai gente lá, vimos muitos corais quebrados. No final da parte delimitada vimos os melhores e mais coloridos. Os corais de Bowen eram mais bonitos, e os do Fitzroy Reef muito mais ainda. Ficamos um bom tempo olhando o fundo e fui brincar com um polvo. Ele tinha mais ou menos 1 quilo, e eu balançava o dedo e ele saia da toca para me ver. Pensei em agarra-lo na marra e leva-lo para o jantar, pois já peguei muitos polvos, e sei cozinha-los de forma que fiquem bem macios e deliciosos. Claro que me lembrei que estávamos num Parque Marinho e o capitão do barco seria o primeiro a me multar. Deixei o bicho quieto apesar da baba que escorria da minha boca. Vimos debaixo da plataforma uma garoupa do tamanho de um cão pastor alemão, e que atende pelo nome de George. Basta você chamar o nome George, com sardinhas na mão que ele vem. George virou mascote da tripulação, e quando jogam as sardinhas outros peixões e peixinhos vem participar do banquete, mas Georjão é mais rápido e pega tudo prá ele. George! Desde quando isso é nome de Garoupa ?

Andamos também no barco de fundo de vidro, e no barco semi submersível  A diferença entre um e outro é que no de fundo de vidro você olha para baixo, enquando no outro olha-se para os lados através de  escotilhas. Algumas partes do passeio foram muito boas e vimos bonitos corais, mas o timoneiro e guia do passeio de repente virava o barco para mostrar uma tartaruga minúscula enquanto víamos os corais. Me lembrei de Undara, mas esse sujeito era bem melhor, não bocejava, e queria agradar. Foi desculpado.  Quando voltamos para plataforma o almoço, incluido no preço já estava servido. Era no estilo bandeijão e cada qual pegava um prato entrava numa fila e se servia. Tinha bife, camarão, galinha, saladas de varios tipos, arroz,  macarrão, legumes, frutas e muitas coisas mais, incluindo sobremesa. Provei um camarão, e não era do bom, assim fiquei mesmo só na salada e nas frutas, com um café preto aguado para arrematar. Já a Celia provou um pouquinho de cada coisa, e depois veio com o veredito: a salada foi eleita o prato do dia.

Depois do almoço, fizemos outra sessão de fotos de pipa para acelerar a digestão e fomos mergulhar de novo. Por volta das 3 horas da tarde o barco retornou para o continente. A volta foi tranquilíssima, e ninguém vomitou nem salada nem nada. O barco vinha a favor do mar e do vento e quase não jogava. Ah, já ia esquecendo.. Nos inscrevemos para pescar, pois eles te levam num lugar que é permitido e fornecem todo o material incluindo iscas. Mas por causa do mar forte, o capitão cancelou a pescaria, o que me deixou muito "P" da vida, pois estávamos contando com o peixe para o jantar. Quando fomos ao Fitzroy Reef, em 10 minutos tínhamos batido a cota de peixes. Pegamos duas "Coral Trout", uma espécie de badejo vermelho de 3 quilos cada, e foi um dos peixes mais saborosos que comemos na vida. Chegamos às 4:30 no cais e após o banho, fomos tentar comprar um peixe. Só achamos peixe congelado no supermercado e paramos então no único restaurante de ontem e pedimos um prato de peixe que veio com... salada. Já sentindo que nasci para fazer fotossíntese, e com o fim da viagem se aproximando, resolvemos abrir a carteira um pouco  mais e pedir uma garrafa de vinho. Como se diz na Austrália:" indulge yourself", que na minha tradução quer dizer: "abuse do cartão de crédito sem perdão".  Amanhã é dia de estrada novamente.

A saída da barra de 1770

Senhores e senhoras, bemvindos à bordo e não vomitem nos outros turistas por favor.

Querida, tem um monstro aqui!

George, o garoupo comilão

Na Ilha, sem a Brooke Shields

A lagoa azul e o matinho

De Town of 1770 até Woodgate (190 km)

Saímos de 1770 como sempre quase causando acidentes, porque a estradinha que vai beirando o mar, tem uma vista deslumbrante. Demos uma passada na pequena cidade de Agnes Water que fica praticamente junto de 1770. Agnes Water é última praia se você vem do Sul para o Norte, que tem algum Surf. Depois dali a Barreira de Coral entra em cena e o mar vira quase uma lagoa como se vê nos relatos anteriores. De 1770 para o Sul pode-se escolher sair por duas estradas que se encontram mais adiante, uma passando por dentro de Bundaberg e outra por Mirian Valle. Escolhemos essa última porque á a Bruce Highway, e a de Bundaberg é estreita com muitas curvas.

A estrada nesse trecho é boa, mas o tráfego fica bem mais pesado na medida que se vai chegando perto do grande centro urbano que é Brisbane. Um dos locais de parada obrigatória tanto para quem sobe como para quem desce, é a cidade de Childers, pois a estrada acaba e entra-se dentro dela pela rua principal. Childers é pequena mas muito bonita porque a maioria das construções datam do final de 1800, e foram restauradas perfeitamente como eram antes. Toda a área ao redor é de fazendas de frutas e plantações de vegetais. Assim a cidade atrai uma quantidade enorme de mochileiros do mundo inteiro para trabalhar nas colheitas. Há alguns anos atrás, Childers entrou no noticiário nacional e internacional por  uma tragédia na cidade, quando um Backpacker Hostel (Albergue) pegou fogo matando a maioria dos que lá se hospedavam. Por causa disso, todas as hospedagens antigas da cidade tiveram que rever e gastar din din em alarmes, saídas de emergência, e treinamentos para caso de incêndio.

Sempre que passamos por Childers paramos para um café ou  uma Meat Pie na padaria. Desta vez não foi diferente. Resolvemos explorar um lugar perto chamado Woodgate. Essa mini cidade fica à 32 Km de Childers, no litoral. A estrada é boa e quase não passa carro. A vegetação é baixa em ambos os lados da estrada e sem nenhuma casa ao longo do caminho, somente fazendas. Woodgate é constituída de uma rua principal  e 2 ou 3 blocos de quarteirões residenciais para dentro. Na beira mar, existem muitas casas para alugar para veraneio. A praia tem ondas muito pequenas, porque a Fraser Island fica logo adiante, bloqueando todo o swell. Ficamos num Caravan Park à beira-mar que por acaso é o único na pequena cidade. A localização do "site" era ótima, porém minha tomada de energia não chegava no poste, mas logo um vizinho veio com uma extensão em nosso auxílio. Fomos até a praia dar uma volta. Haviam dois pescadores e umas pessoas dentro d'agua tomando banho de mar, e resolvemos fazer o mesmo. Trocamos de roupa no Caravan Park e ficamos um tempão no raso, só com a cabeça de fora d'agua. O lugar era uma tranquilidade, e o silêncio quase absoluto. A única coisa que se escutava era o vento balançando uns galhos de Casuarinas e o murmúrio de uma ou outra marola quebrando na na areia.

O vento estava perfeito para foto aérea de pipa, e apesar de umas nuvens chegando, ainda tinha bastante sol. Resolvemos fazer uma sessão de fotos aéreas, mas nessa praia não dava por causa de uma parede de Casuarinas. Pegamos a van e fomos para o final da praia, e achamos um lugar muito bonito e interessante, com uma extensa área de areia branca. Era a boca de um estuário, e tanto aqui como em 1770, não existem mais crocodilos de água salgada nem mortais águas vivas, só tubarões. Ufa, que alívio!  Na praia tinha somente um pessoal que colocava um barco numa carreta. Eles nos cumprimentaram e logo em seguida foram embora. Quando o carro deles se afastou o silêncio foi total, e num raio de 10 Km sabíamos não haver uma alma viva. Toda a região no final da grande praia é um Parque Nacional. Botamos a pipa no ar e tiramos muitas fotos aéreas. O dia estava uma delícia, e o vento morno morno e perfeito para fotos. Na boca do estuário a maré baixa formava ilhas de areia, e a água era bem limpa e transparente. O local é mesmo espetacular e muito tranquilo, e está da mesma forma que quando o Intrépido Cook passou por alí em 1770

Retornamos para o Caravan Park, mas não paramos. Ao invés, fomos explorar um outro estuário, pois a topografia do lugar e feita de um estuário, depois uma praia longa com a Vila de Woodgate, e outro estuáio.  Esse também era bonito, mas nem tanto quanto o outro. O céu ficou um pouco nublado, mas parecia ser coisa local e sem sinal de chuvas. A praia era infindável de longa e sem uma alma viva. Tiramos fotos de pipa até que a bateria morreu, e voltamos para o Caravan Park. Com gosto de fim de festa, o jantar foi feito com restos de comida que sobraram no freezer. Foi horrível, e com certeza a pior refeição que tivemos na viagem. Era uma mistura de peixe com carne, galinha, arroz, e macarrão com brócoli, tudo junto. Chamamos o prato de "melê", e recomendamos fortemente para nossos inimigos. Não arrumamos nada na Van dessa vez, já que teríamos que desmontar tudo em casa. Para variar, dormimos às 8 da noite sabendo que amanhã dormiíiamos em casa, e não mais em nosso pão de fôrma ôco e branco que é a Van.

Childers - Rua principal

Woodgate - Beira-mar

Pescaria da praia.

Woodgate - Estuário

Woodgate - Praia sem fim

Rampa para barcos

Adão, Eva, O paraíso, e uma camera pendurada numa pipa.

Último dia de Viagem - De Woodgate até a Gold Coast

Esperamos o sol raiar para sair. De Woodgate até a Gold Coast seriam cerca de 450 Km, ou umas 6 horas de estrada dependendo do trânsito. Chegaríamos antes do meio dia. Na primeira parte a estrada estava ótima e o dia também. Já estávamos em área bem conhecida, e por isso a média de velocidade aumentava, o que nos fez chegar na Sunshine Coast antes das 9 da manhã. Como era ainda cedo, resolvemos deixar a Bruce Highway e entrar para a Sunshine Coast em Noosa, e dali ir descendo pela beira mar até a cidade de Caloundra. A Sunshine Coast é um monte de cidades de pequeno porte praticamente emendadas uma na outra, perfazendo um total de 300 mil habitantes, e Caloundra está a 1 hora de Brisbane.

A primeira parada foi na nossa velha conhecida cidade de Noosa. Noosa tem um rio que deságua num estuário muito bonito além de praias disputadas e bastante apreciadas por surfistas, principalmente os na semi aposentadoria que nem eu. O motivo é que quando tem onda, elas são muito longas, pois desde a ponta do Parque Nacional, passando toda a enseada, até chegar na praia, as ondas quebram perfeitas para pranchões. Quando o mar está bom, o point fica bastante concorrido. Mas nem só de Surf vive Noosa, que atrai gente da Austrália toda e do exterior. A vida noturna, bares, boates, e lojas de grife destacam Noosa de outras cidades da Sunshine Coast. O Parque Nacional é bem pequeno, mas tem excelentes caminhadas beirando o mar e a floresta é muito bonita, inclusive com sorte avista-se Coalas nas árvores. Chegamos a fazer uma sessão de pipa, mas o vento não conseguiu levantar a dita mais de 5 metros do chão. Comemos uma Pizza de lanche, e continuamos a viagem pela beira-mar.

Coolum é a próxima cidade da Sunshine Coast, bem menor que Noosa, e com uma praia aberta que de vez em quando também tem bom Surf. A Perigian Beach, une essas duas cidades. Paramos nela para dar uma olhada no mar, e ao caminharmos em pequena trilha, tivemos uma surpresa ao ver uma placa anunciando " Cuidado com Cobras". Achei que fosse uma brincadeira, colocada talvez por um surfista que queria aquela parte do mar só prá ele, mas olhando melhor, vi que tinha uma assinatura da prefeitura de Noosa. Na Austrália, fora das grandes cidades, toda a orla marítima tem uma área de vegetação natural preservada e cercada. O acesso é feito por trilhas no meio dessa vegetação. Eu achei muito legal, que ao invés de matarem todas as cobras, simplesmente avisem que elas estão por alí. Olhando bem por onde pisávamos chegamos na praia, que além de bonita tinha uma água bem limpa, porém fria. Voltamos para a van e continuamos o passeio.

Mooloolaba e Maroochydore foram as cidades seguinte, e com o vento mais forte, paramos e fizemos uns 20 minutos de fotos aéreas de pipa. Como sempre acontece, toda vez que vamos fazer essa fotos junta um monte de curiosos, e fazem milhares de perguntas, do tipo..."É uma camera lá em cima?" "Como você enquadra a foto?" "Como você dispara a camera?". Por causa dessas perguntas, um conhecido nosso, que também faz KAP estampou na camiseta, um FAQ de perguntas e respostas. Uma senhora chegou perto e fez essas clássicas perguntas, e depois de respondermos, ela queria que a gente ensinasse tudo para ela. Demos nosso telefone e continuamos o passeio.

A última parada foi em Caloundra, e ficamos bastante impressionados como a cidade cresceu. Nós sempre vamos para a Sunshine Coast, mas quando vamos, ou é para visitar o Beto e a Eliane, ou para Noosa que é a cidade da Sunshine Coast que gostamos mais. Paramos num mirante à beira mar, mas não tinha vento para a pipa, e quando íamos pegar o carro parou uma van enorme, rebocando um treco maior ainda. Do treco saiu um "Blimp" que é como um Zeppelin ou balão. O sujeito ía fazer fotos aéreas, e nós claro estávamos interessados. Conversamos e mostramos nosso equipamente, e ele fez o mesmo com o dele. O Blimp tinha mais de 3 metros de comprimento, e fiquei pensando se o vento aumentasse, controlar um treco daquele no ar não deveria ser fácil. Ele confirmou, e disse que por isso fazia um seguro de danos à terceiros caso perca o controle. Ele era profissional, e ía fazer um trabalho para a prefeitura local, que seria fotografar umas casas na beira de um penhasco. As casas corriam o risco de desabar. Ele tinha esquecido as baterias em casa, e a esposa ía buscar. Sem saco para esperar, perguntamos onde era a saída para a Bruce Highway, e ela nos disse para seguí-la, e assim fizemos.

De Caloundra passamos pela frente de Brisbane, e em seguida mais uma hora de carro até a Gold Coast. Chegamos às 3:30 da tarde, e tivemos uma surpresa. Todo o nosso apartamento fedia forte a peixe podre. Nossa filha não estava, e procuramos pela casa inteira a origem do cheirão. Nada. Olhamos 10 vezes a geladeira e nada. Olhamos o freezer e o dito estava bem congelado, impossível de ter algo estragado lá dentro. Quando olhei para cima, lá estava o bruto. Um prato com peixe crú completamente estragado em cima do freezer. Quando a adorada criatura de Deus chegou, ela disse que faz uma semana que tem sentido esse cheiro, mas não conseguiu identificar de onde vinha. Disse que não foi ela, e como ela é baixinha, não enxergava o que estava em cima do freezer. O mistério foi solucionado quando ligamos para nosso filho. Ele declarou-se culpado de ter atacado nosso freezer enquanto viajávamos, e por descuido esqueceu o peixe fora do freezer. Estávamos de volta na "home sweet home", e em cima da mesa, uma pilha de contas nos esperava para pagar.

Praia principal de Noosa

Rio e estuário de Noosa

Coolum - Centro e praia

Canais e residências em Noosa

Coolum - outra pequena praia

Caloundra Surf

De volta na Gold Coast.

Viagem ao Norte da Austrália - Conclusões

Bem... basicamente duas conclusões foram tiradas, a primeira sobre os propósitos de viagem, e a segunda sobre a Austrália em si. Com relação aos objetivos da viagem, que eram testar as modificações na Van, e trabalhar enquanto se viaja os resultados foram os seguintes: 

1) As modificações na Van

  • Cama - ficou muito boa e confortável, mas o sistema de levantar o colchão para ter acesso ao conteúdo do baú em baixo da cama, quebrou na primeira semana, e cada vez que precisávamos de algo lá de baixo era preciso de duas pessoas, uma para segurar o colchão levantado, e outra para pegar o que precisava.

  • Armários e Gaveteiros - Funcionaram maravilhosamente bem o tempo todo, e mantiveram a Van sempre arrumada.

  • Freezer - A escolha de um freezer de 80 litros ao invés de geladeira, foi bem acertada. Mesmo quando passávamos o dia no mar deixando a Van sob o sol, quando voltávamos, tudo lá dentro continuava bem gelado. O Freezer na temperatura mínima não congelava nem bebidas, nem alimentos, e dava perfeitamente para estocar 4 dias de comidas sem fazer compras. Antes de dormir desligávamos o freezer, e ao acordar ligávamos de novo. Assim a temperatura ideal era atingida bem rápido. A economia de gastos com dois pacotes de gelo por dia a 3 dólares cada, custaria em 34 dias A$ 204, e o Freezer nos custou A$ 189. Foi uma grande escolha.

  • Toldos - Tanto o toldinho azul quanto o toldão foram muito usados, e não sei o que seria de nós principalmente sem o toldão em dias de chuva e sol. Sem ele também não poderíamos ter trabalhado no computador do lado de fora do carro. A montagem surpreendeu de tão simples que é para o tamanho, não levando mais de 10 minutos.

  • Barco Inflável - Ótima decisão que deu uma incrível mobilidade e aumentou as opções de coisas para fazer sem ter que levar um barco à reboque, ou alugar um no local. O motorzinho se mostrou valente, mas vamos investir num com mais potência. Como ele não plana o barco, limita muito o acesso a lugares mais distantes. O Tohatsu 9.8 HP tem o mesmo peso desse de 5 HP e vai constar doravante em nossa "wish list".

  • Computador e trabalho - Faz muita diferença ter um Lap Top enquanto se viaja, pois tivemos acesso aos nossos arquivos e endereços, e pudemos trabalhar neste website enquanto viajávamos, isso sem falar em poder assistir DVDs e TV no computador. O ponto negativo é que nossa Van é pequena para acomodar um local fixo para o computador, e tínhamos que dividir o espaço da mesa de jantar entre fogão, comida e computador. Nos dias de chuva forte era quase impossível fazer qualquer trabalho do lado de fora, e dentro do carro, o único lugar era na frente, ao lado do motorista, e não era bom. Isso só iremos resolver quando passarmos para uma Caravan de bom tamanho.

2) Os números da viagem:

  • Gastos - Rodamos um total de 5250 Km, e gastamos cerca de A$ 3500 pelos 34 dias de viagem ou seja, uma média aproximada de A$ 100 por dia para duas pessoas. Isso inclui tudo, desde acomodação em Caravan Parks, gasolina carro e barco, pedágios e transportes em balsas, comida, cervejas e bebidas, restaurantes eventuais, custo de alguns tours que fizemos, uso de Internet, compra de cartões postais e alguns guias de viagem. Não compramos nessa viagem nenhum souvenir, camisetas ou nada de valor. Dos gastos acima, 1/3 foi referente a gasolina, outro terço referente a hospedagem, e o terço restante comida e demais. 

3) Coisas sobre a viagem e a Austrália:

  • Comunicação - Com o telefone celular pré-pago da Telstra não tivemos problemas, nem em centros urbanos mesmo que pequenos. O telefone celular pegou em quase todos os lugares menos nas estradas quando não havia nada por perto. Encontramos acesso a Internet em muitos Caravan Parks, sendo o custo médio de A$ 10 para uma hora de uso. Todas as cidades e mesmo lugares como Cape Tribulation e Undara, havia opção de Internet. Não tivemos problemas de comunicação em Inglês em nenhum lugar, exceto em Gladstone, mas foi com somente duas pessoas. Também não sentimos nenhum tipo de preconceito por parte de ninguém pelo nosso sotaque ou aparência.

  • Segurança - Zero de problemas em qualquer lugar que estivemos. Nem sequer cruzamos com pessoas grosseiras, muito pelo contrário, só conhecemos pessoas extraordinárias e prestativas para informações ou o que precisássemos. Não deixavámos nada a vista dentro do carro quando saíamos para passeios a pé, ou de barco. Praticamente em todos os Caravan Parks deixamos a mesa, cadeiras, fogão, utensílios de cozinha, e até dois tanques cheios de gasolina em baixo da mesa e nada sumiu.

  • Estradas - A maioria das estradas estavam em ótimas condições e mesmo em locais isolados o asfalto era bom. Muitos trechos não têm acostamentos, e em caso de emergência tem-se que parar no mato ou pelo menos com duas rodas nele. A estrada é chata, mas muito chata mesmo, e salvo um trecho ou outro que tem paisagens ou algo interessante para ver, na maior parte do tempo nada muda. Os velhinhos das Caravans pegam a estrada por volta das 10 da manhã (parece que combinado). Se tiver viajando com pressa é uma verdadeira tortura. Em Queensland sugerimos fortemente se associar ao RACQ, uma espécie de Touring Club que presta socorro mecânico na estrada ou cidade. Mas preste atenção que em caso de ter que ser rebocado, o reboque só é gratis num raio de 20 Km da cidade, e o excedente custa uma nota. Antes de viajar verifique se no seu seguro está incluído quebra de para-brisas e muito cuidado com Cangurus e outros bichos na estrada, principalmente se for dirigir à noite.

  • Lugares - Os lugares que menos gostamos foi Gladstone e Mackay, mas não conhecemos direito as praias de Mackay e nem a área residencial, só o centrão. Os que mais gostamos foram Townsville e Cairns na categoria de centros urbanos, e na de lugares bonitos e turísticos foi Magnetic Island, Cape Tribulation, Mission Beach, Airlie Beach, Cape Hillsborough e Town of 1770 (não necessariamente na ordem de preferência). O único lugar que temos certeza que não voltaremos de novo é Undara, não que seja feio, até pelo contrário, mas não tem nada para ser visto duas vezes lá. A Sunshine Coast não entra nessa história pois é perto de casa e sempre gostamos de passear lá.

Outro ponto importante a realçar é que as cidades da Austrália e de Queensland são muito parecidas em termos de arquitetura e comércio, ou seja, tem quase as mesmas lojas em todas as cidades. Se me mostrarem uma foto de qualquer centro desses, é muito difícil dizer qual é qual, salvo se já morou lá e conhece aquela casa da esquina. Nas cidades para o Norte de Queensland, os casarões históricos chamados de "Queenslanders" são muito bonitos e são os principais atrativos em termos de arquitetura. Fora isso, até mesmo os supermercados e shopping centers são igualzinhos com as mesmas lojas dentro, pois é tudo franchise. Os pontos altos dessa parte da Austrália são as belezas naturais e a conservação do meio ambiente. Se estiver procurando alto luxo, glamour, teatros etc..não aconselhamos em ir para lá. Na maioria dessas cidades vive-se muito bem, e não falta trabalho de acordo com o que é oferecido na área. O grande lance dessas cidades é que as pessoas tem mais tempo para parar na rua e conversar com você. São educadas e cordiais e tratam todos muito bem, incluindo (e principalmente) turistas que injetam divisas para a região.

Finalmente, se você não for viajar de carro, mas sim de avião por pouco tempo, e quiser saber os locais que aconselhamos visitar ai vai:

  • Townsville e Magnetic Island ( 2 ou 3 dias)

  • Cairns e Grande Barreira (Green Island não, pague mais e vá nos recifes lá fora). De Cairns entre num tour até o Cape Tribulation (passando ou talvez ficando uma noite em Port Douglas). O dia vai ser puxado mas vale a pena. (4 dias)

  • Dê preferência para viajar fora do período das águas vivas, entre Novembro e Maio (mas existe rede de proteção nas principais praias urbanas). Os crocodilos mostram os dentes o ano intereiro, sendo assim, pergunte sempre a populaçao local se tal praia, tal rio, ou tal poço abriga os monstrengos.

The End - Fim

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